por João Paulo Lucena (jlucena@pro.via-rs.com.br)
(31/08/99)
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O Monte Aconcágua está aos
poucos tornando-se uma parada quase que obrigatória para os brasileiros que praticam a
escalada em alta montanha. Bem, não só para os brasileiros, mas também para
montanhistas do mundo todo, já que este fantástico maciço de rocha é o pico culminante
da América (6.962 m) e o mais alto fora da Cordilheira do Himalaia, famoso pelas suas
inclementes tempestades e temperaturas extremas, beirando 25 graus negativos em pleno
verão.
E foi nada menos do que uma destas freqüentes revoluções
climáticas, batizadas de "Viento Blanco", que sem qualquer piedade destruiu com
força de furacão a totalidade dos acampamentos de alta montanha situados no Monte
Aconcágua no dia 1º de fevereiro da temporada de 1999, quando ventos superiores a 80 km
por hora e sensação térmica inferior a 60 graus negativos (!) obrigaram todas
expedições a retornarem ao acampamento-base de Plaza de Mulas. Inclusive a minha... Boom
do Aconcágua. Enfim, como toda montanha caprichosa, alguns dias mais e o céu estava
magnífico, límpido e ensolarado, permitindo a um bom número de montanhistas alcançarem
o cume sem qualquer lembrança da terrível tempestade.
Embora haja um intenso e crescente interesse dos brasileiros em
conhecer o Monte Aconcágua, tanto pela perspectiva desde o cume quanto a do seu sopé,
ainda não temos bibliografia específica editada em português, o que colabora com a
grande desinformação a respeito e o incremento no número de acidentes graves ou fatais
havidos na montanha. Dessa forma, apesar de serem esperados aproximadamente 4.000
montanhistas para a temporada de 1999/2000, não esqueça: a via de ascensão pela Rota
Normal do Aconcágua não é um trekking, como equivocadamente se divulga, mas apresenta
todas as dificuldades próprias de uma escalada de altitude, exigindo do montanhista uma
preparação adequada muito além do que a simples leitura de um livro! De qualquer forma,
para quem pretende mais cedo ou mais tarde deleitar-se com a majestosa beleza da
"Sentinela de Pedra", uma boa preparação pode ser iniciada com a leitura de
alguns livros sobre o tema. Afora algumas obras editadas na Argentina, difíceis de
obter-se no Brasil, a literatura sobre o Aconcágua é escassa, ressaltando-se duas obras:
"Aconcagua - A Climbing Guide" - Como guia específico para o
Aconcágua, este
pequeno best seller é companhia obrigatória para quem
pretende fazer trekking ou
escaladas nesta montanha. Ilustrado com 50 fotos em preto-e-branco,
apresenta itens sobre
o histórico da região, clima organização da
expedição, equipamentos necessários,
aclimatação e uma descrição das rotas
básicas e 27 variações de escalada. Escrito
por um montanhista para montanhistas, detalhado e cuidadosamente
escrito, indicamos
Aconcagua - The Climbing Guide como guia básico de escalada ou
trekking, agora em 2ª
edição atualizada e recém saída do prelo.
"Aconcagua - The Stone Sentinel: Perspectives of an Expedition"- Escrito de
forma a intercalar as perspectivas de vários membros de uma expedição comercial
norte-americana ao cume do Aconcágua seguindo a chamada Rota Normal, este livro há muito
vem sendo utilizado como leitura complementar para escaladores ou trekkers. Pitoresco,
bem-humorado e com belas fotografias coloridas, não deixa de ser interessante comparar
por meio deste relato a completa estrutura hoje oferecida aos montanhistas com o ambiente
originalmente desolado de apenas alguns anos atrás. Feitas as devidas recomendações,
não esqueça as luvas e o gorro e boa escalada!
"Aconcagua - A Climbing Guide" Autor: Secor, J.R Editora: 2ª ed. Seattle: The
Mountaineers, 1999. 144p. ISBN 0898866693, Brochura Serviço: US$ 13,56 na Amazon Books
(www.amazon.com).
"Aconcagua - The Stone Sentinel: Perspectives of an Expedition" Autor: TAPLIN,
Thomas E Editora: Santa Monica: Eli Ely Publishers, 1992. 252p. ISBN 0963480715, Capa Dura
Serviço: US$ 24.95 na Amazon Books (www.amazon.com).